Vivemos em uma era de vaidades exacerbadas. A ostentação e a hiper-exposição do indivíduo tornaram-se paradigmas de comportamento, sobretudo para as gerações mais jovens. A moda é expor-se ao máximo, despudorada e desavergonhadamente. Aliás, como somos modistas, nós brasileiros...
Contribuem notadamente para esta apoteose do exibicionismo as novas (ou não tão novas assim) mídias eletrônicas: twitter, facebook, orkut, etc. Tais sites de relacionamento oferecem uma oportunidade única para as hordas de seres inanes que os procuram: a possibilidade de mostrar-se, de aparecer, de tornar públicas praticamente todas suas ações cotidianas, por mais ordinárias e prosaicas que sejam...
Dessa forma, miríades de narcisistas impulsivos esforçam-se diuturnamente para publicar ao mundo que estão almoçando no shopping, que estão na balada com fulano, que estão curtindo o show de cicrano, que encontraram beltrano na praia ou simplesmente que estão em casa entediados, pois não conseguem pensar em nada produtivo para fazer. Como se alguém (em sã consciência) tivesse algo a ver com isso!
Este mágico apelo que os sites de relacionamento exercem sobre muitos de seus usuários, é o sintoma de uma patologia social contemporânea , que eu descreveria como "Epidemia de Egos Inanes". Explico-lhes: tais indivíduos, na tentativa de suprimir o vazio existencial do qual padecem, encontram no exibicionismo e na ostentação subterfúgios momentâneos.
O problema é que inicia-se assim um círculo vicioso: quanto mais se expõem, mais querem se expor. E assim, fazem com que abundem no ambiente virtual fotos, comentários, conversas, desabafos, e uma infinidade de outras informações que dizem - ou deveriam dizer - respeito exclusivamente às suas vidas privadas.
Portanto, egrégios exibicionistas hodiernos, lhes deixo aqui uma súplica: Tenham piedade dos humildes seres que ainda prezam a discrição e o recato, e deixem de bombardear incessantemente o mundo com suas futilidades particulares!